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Sexta-feira, Junho 13, 2003

LUÍZA
de Tom Jobim

Rua
Espada nua
Bóia no céu
Imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo dessa neve
Mora um coração
Vem cá Luiza
Me dá a tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem me exorciza
Me dá tua boca
E a rosa louca vem me dar um beijo
E um raio de sol nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então o sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar, Luiza...




Hoje eu começo o post simplesmente com a letra da música pedida, enquanto a gente ouve o Chico Buarque cantando uma canção, que não é de sua autoria, de maneira emocionada... Dizem que o Chico desafina muito, apesar de compor tão bem. Na minha vivência junto a músicos e intérpretes eu diria mais elegantemente que ele "semi-tona" sim, quando se emociona ao cantar. E essa pode não ser a versão mais "afinadinha" de Luíza, do Maestro Jobim, mas com certeza uma das mais comoventes. Espero que a blogOuvinte Norma aprove a escolha, já que esta foi uma segunda opção que ela me deu, caso eu não conseguisse (e foi mesmo impossível) encontrar o Corsário, de João Bosco e Aldir Blanc, na voz de Elis Regina, em arquivo pequeno o suficiente para rodar aqui na nossa Radio Blog. Então veio Luíza e eu fiquei muito feliz de encontrar nesta versão, já que existe uma outra, mais afinadinha, mais orquestrada, mas menos emocional. Chico e Tom tiveram um casamento perfeito daqueles mesmo de que até que a morte os separe. E foi assim. Chico disse ter perdido totalmente a inspiração depois de perder muito mais que o parceiro: o amigo, o mestre, ou "o maestro soberano" como ele escolheu dizer. E como esse "casamento" resultou em algumas das pérolas mais lindas da nossa MPB, eu achei oportuno colocar aqui alguns trechos de uma entrevista do Chico, há 7 anos atrás, falando do Tom, e da importância dele no seu trabalho. Acho que cabe...

CHICO FALA SOBRE TOM EM ENTREVISTA CONCEDIDA EM 1996 A LUÍS ROBERTO OLIVEIRA

CB:Muitas vezes, muitas músicas que ele me deu eu não fiz letra, não por não querer ou não gostar - às vezes até por não conseguir - e depois ele fez lindamente. "Luiza" mesmo, ele tinha me dado para colocar letra . O "Wave" também.
LR: Como é que foi "Wave" ? Dizem que você fez "Vou te contar".
CB: Exatamente, "Vou te contar" e pronto...
LR: Quer dizer que "Vou te contar" é teu ? (risos).
CB: É engraçado, eu lembro do "Wave" quando ele me mostrou, e eu demorando a fazer, não saía nada além de "vou te contar", e aí ele disse: "Pô, Chico, você não quer ficar rico ?" (risos)
Ele já adivinhava que "Wave" seria uma das músicas mais executadas, já pressentia que ia ser um sucesso.


MAIS TRECHOS...



Chico: O Tom sempre foi muito generoso e amoroso comigo. Ele também gostava de algumas das minhas primeiras músicas, como "Ela Desatinou", "A sua lembrança me dói tanto" ...
Ele tinha isso com muitas músicas de outros compositores também, ele era atento. Só no fim é que ele começou ficar já meio enfastiado, intoxicado de música. Ele dizia "I hate music", mas por outro lado, o tempo todo ele ouvia muita gente nova, e antiga também, o Bororó, o Custódio Mesquita, e tal. E gostava muito do Ary Barroso.

LR: Que coisa bonita você chamar o Tom de "Meu Maestro Soberano", naquela sua música.
Chico: Quando eu fiz essa música, em homenagem ao Tom antes de tudo - homenagem à música brasileira, mas através do Tom - eu pedi para fazerem uma cópia em CD só dessa música e mandei para ele. Eu não queria chatear o Tom, sabendo que ele não estava muito afim de ouvir música nova, e deixei um recado assim: "Tom, ouça só uma vez essa música, é uma música só !" (risadas). E ele ouviu e ficou tão contente, tão tocado. E mais tarde até gravou a música comigo num especial de televisão. Foi uma das últimas vezes que eu estive com ele. Ele ficou todo feliz.

No Jardim Botânico tem uma árvore grandona, enorme, chamada Sumaúma ou coisa parecida, de que ele gostava muito, que ele abraçava. Puseram lá uma placa: "Maestro Soberano - Tom Jobim". E depois ele deu ao último disco dele o nome de Antonio Brasileiro, que é como eu o chamo nessa música.
Eu chamava o Tom de Tão, e ele falava: "O pessoal na roça me chama de Tão, lá em Poço Fundo."

L.R.: "Anos Dourados" e o "Piano na Mangueira" foram as últimas letras que você fez para o Tom. Contam as más línguas que você demorou para fazer a letra de "Anos Dourados"...
Chico: É verdade, atrasei, mas eu não sou muito rápido não. "Anos Dourados" era pra ser tema de uma mini série com o mesmo nome, e entrou sem letra porque a letra não ficou pronta. Depois que a mini série saiu do ar, é que a letra apareceu.(risos)
LR: Valeu a pena esperar, sem dúvida.
CB: (brincando) A mini série é que foi precipitada...




LR: O que é o Tom para você ? O que ele representa ? Na música, como pessoa, como amigo ?
Chico: Para mim como artista criador é um buraco, uma falha muito grande, a ausência do Tom. Agora que eu estou voltando a fazer música depois de uns dois anos, eu procuro ressuscitar um pouco o Tom ao meu lado...
Às vezes eu tenho a impressão de que ele ainda está por aí, de que ele não vai me abandonar.
Eu disse num momento de emoção: "Tudo que eu faço é para o Tom", e realmente isso saiu de forma impensada, mas é uma verdade. Tem um poema de João Cabral (de Melo Neto) que fala numa pessoa que estaria por cima do seu ombro, vendo o que você está escrevendo - o Tom é muito isso. Muitas coisas que eu escrevi, músicas que eu fiz, eu tinha a impressão, ou gostaria, que o Tom estivesse por cima do meu ombro vendo aquilo, aprovando ou não. Mesmo porque já mais pro fim da vida o Tom não tinha mais muita paciência para ouvir coisas novas, e eu já não tinha muita esperança, já não tinha muito desejo ou intenção de mostrar música nova pro Tom, mas a existência dele ali valia como uma referência. Eu pensava: se o Tom tivesse paciência de ouvir essa música, ele gostaria. Com a ausência dele você tem uma noção mais clara do que ele representava.

É verdade...______________________________

CoRa tocou esta música para mais um blogOuvinte








Terça-feira, Junho 10, 2003

Nosso blogOuvinte Vulcano é um amigo querido do Espaço Sideral, que nos sintoniza lá do seu planeta e quando vem visitar a Terra, pode ser encontrado também no blog do Paulo, Cinelândia, o que explica sua afinidade com músicas que estiveram em filmes famosos, compondo trilhas que marcaram época. No seu último passeio por aqui, ficou encantado com a versão de Frank Sinatra e Bono Vox para I' ve got you under my skin e lembrou-se de ter ouvido a voz de Sinatra em filmes como "Wall Street", "Meu Querido Intruso" e "Cowboys do Espaço" interpretando ou inspirando novas interpretações de "Fly Me To The Moon".

Na verdade, seu pedido foi dirigido à BJ BIA que chegou a rascunhar um post para atendê-lo, mas teve que se ausentar por motivos de força maior e me deixou com essa incumbência na mão... Espero cumprí-la à altura, já que os blogOuvintes de outras galáxias costumam ser muito exigentes!!! E a versão que fui buscar, por isso mesmo tem algo de especial... foi gravada ao vivo, num show do nosso querido "blue eyes" em Nova York. Os mais novinhos que podem achar essas músicas todas muito "de época", já devem ter percebido que elas tem melodias tão ricas que são regravadas de geração em geração, porque tornam-se hits eternos, tanto que recentemente tivemos a gravação de Paula Toller, do Kid Abelha, confirmando isso no seu disco solo, com uma gostosa versão desta mesma música... Mas o Vulcano pediu na voz do Tio Frank, que mais do que merece esta homenagem, já que foi ele o maior divulgador internacional da canção.


ilustração garimpada pela BJ Bia

FLY ME TO THE MOON
Words and Music by Bart Howard


Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, baby kiss me
Fill my heart with song
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you
----------------------------------------------1915-1998


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